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Todo domingo, há vinte anos, é a voz do Isaque que abre o louvor da igreja dele. Ele nunca faltou um domingo.
Faz uns meses ele sentiu um caroço pequeno no pescoço. Deixou pra lá, achou que não era nada. Quando foi ver, tinha crescido tanto que hoje não existe gola que esconda.
É um tumor, e já tá avançado.
A voz dele ainda está bem. Mas o doutor avisou que, do jeito que a condição cresce, é questão de tempo até ela começar a parar.
Todo domingo Isaque sobe pra cantar pedindo que aquele não seja o último com ela inteira.
Essa semana veio a parte mais complicada. O tratamento não resolveu, e só sai com operação. O prazo é de sessenta dias: quanto mais ele cresce, mais perto chega da voz e mais difícil fica de tirar.
A Débora, esposa dele, largou tudo pra cuidar. Quando o cabelo dele caiu, ela raspou o dela junto.
A família chegou onde conseguia chegar sozinha. O que sobrou entre eles e essa operação é maior que tudo que já venderam.
São vinte anos de uma voz servindo aquela igreja sem cobrar nada. E ainda dá tempo dela continuar.
Se essa história chegou até você, talvez seja por aqui que ela muda: